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A Arte do Vinho

A Arte do Vinho

A ténica de vinificação em talhas de barro trazido pelos romanos há mais de dois mil anos nunca deixou de ser praticada no Alentejo.

Em Portugal, o Alentejo tem sido o grande guardião dos vinhos de talha, tendo sabido preservar até aos dias de hoje este processo de vinificação desenvolvido pelos romanos. Ao longo dos tempos, a técnica de fazer vinho em talhas foi sendo passada de geração em geração, de forma quase imutável. Ainda assim, não existe apenas uma maneira de fazer vinho em talhas, variando ligeiramente consoante a tradição local.
O barro é sem dúvida um material altamente poroso e, por isso, a tradição é as talhas serem revestidas normalmente com pez Louro (resina de pinheiro e cera de abelha) para não se perder vinho, mas muitos produtores estão a retirar este revestimento ou, pelo menos, a esperar que ele vá desaparecendo porque não querem que confira demasiado sabor ao vinho.

Com algumas diferenças entre regiões e produtores, na elaboração do vinho de talha a uva é ligeiramente pisada, depois pode ou não ser desengaçada, normalmente à mão na mesa de ripanço, e aí coloca-se cerca de 30% do engaço no fundo das talhas e fica a fermentar. Durante esse período, que dura cerca de oito dias, é fundamental remontar a massa, normalmente com um rodo de madeira duas a quatro vezes por dia para fazer baixar a manta.
O formato das talhas ajuda a controlar a temperatura mas a maioria dos produtores também as rega no período da fermentação para baixar ainda mais a temperatura e a pressão que pode fazer rebentar as talhas. Aliás, é por isso que em todas as adegas antigas existe um alçapão no chão – o chamado ‘ladrão – para onde corria o vinho caso uma talha rebentasse e que tinha, antigamente, uma outra talha por baixo para que esse vinho não se perdesse.
Sem isso, o vinho, apesar de ser filtrado pelo engaço que é colocado no fundo das talhas, tem sempre de ser colocado de novo na talha para, pelo menos, uma segunda passagem.
O vinho Branco de Talha sempre teve mais tradição, dando destaque a castas antigas que, sem o renascimento deste vinho, estariam quase desaparecidas, como a Manteúdo e a Diagalves. Já nas castas tintas, o destaque vai para a Moreto.

Em Cuba, reinam os brancos de Antão Vaz, acompanhada muitas vezes pela Roupeiro, Perrum, Rabo de Ovelha e também pela Manteúdo.Em muito Tintos de talha, hoje já está também habitualmente presente a Aragonês e a Trincadeira, entre outras.
Aqui,o vinho de talha é o único tipo de vinho em que o processo de vinificação é igual para o Branco e o Tinto.
A população fazia os  denominados “tarecos”, nos quais produzia o vinho suficiente para o consumo da família durante o ano. Cada pessoa produzia as suas uvas que depois transformava em vinho nesses potes mais pequenos. Os grandes agricultores tinham as talhas.
O povo fazia o vinho nos tarecos  e a aldeia de Vila Alva, detentora de vinhas centenárias – únicas na região – possui  uma série de adegas.
Hoje em dia,a freguesia mantém  a tradição da produção artesanal de vinho, com muitos dos seus habitantes a ter em casa o seu próprio tareco. Vila Alva tem no São Martinho a celebração de uma das suas manifestações mais populares. Uma celebração onde há provas de vinho, mas também petiscos tradicionais e, claro, cante alentejano, que hoje se intitula " Provando o Tareco!" pelo São Martinho.